A Urubu de Lima nasceu de uma ideia de torcedor, conquistou uma votação popular e transformou uma referência cultural do Peru em parte da identidade rubro-negra. Conheça a história por trás da camisa vencedora do Manto da Nação.
Neste artigo
- Manto da Nação: quando a torcida se torna criadora
- Quem criou a Urubu de Lima?
- O que as Linhas de Nazca têm a ver com o Flamengo?
- Por que o urubu é um símbolo rubro-negro?
- A escolha do público: milhares de torcedores participam
- Duas versões: a proposta original e as cores tradicionais
- Da ideia ao produto: o sucesso da Urubu de Lima
- O que essa camisa revela sobre o design esportivo?
- Quando a torcida também faz parte da história
No futebol, uma camisa pode representar muito mais do que um clube. Ela carrega lembranças de grandes jogos, homenageia personagens importantes e conecta gerações de torcedores. Em alguns casos, também conta uma história que vai além das quatro linhas.
A Urubu de Lima, criação escolhida pela torcida do Flamengo em 2026, é um exemplo dessa relação entre futebol, identidade e criatividade. Inspirada nas misteriosas Linhas de Nazca, no Peru, a camisa nasceu de uma iniciativa que colocou os próprios rubro-negros no centro do processo de criação.
O projeto recebeu milhares de propostas, mobilizou torcedores de diferentes países e transformou uma ideia individual em uma escolha coletiva. Mas como surgiu a camisa vencedora? Qual é a relação entre o urubu, o deserto peruano e as conquistas do Flamengo na Libertadores? E por que essa iniciativa merece atenção de quem gosta de camisas de futebol?
Para entender a Urubu de Lima, vale conhecer tanto o desenho quanto a história que existe por trás dele.

1. Manto da Nação: quando a torcida se torna criadora
Em julho de 2026, o Flamengo lançou o projeto Manto da Nação, uma iniciativa que convidou torcedores de diferentes partes do mundo a apresentar propostas para uma nova camisa do clube. O objetivo era dar à torcida a oportunidade de participar da criação de um dos símbolos mais reconhecidos do futebol rubro-negro.
A proposta ia além de uma votação entre modelos desenvolvidos exclusivamente por profissionais. Os participantes podiam criar seus próprios desenhos e disputar a oportunidade de ver uma ideia transformada em uma camisa produzida pelo clube.
O processo foi dividido em etapas: envio das propostas, seleção de dez finalistas por uma comissão julgadora e votação popular para escolher o desenho vencedor. Dessa forma, a iniciativa combinou avaliação criativa e participação direta dos torcedores.
A dimensão do projeto chamou atenção. Segundo o anúncio oficial do resultado, o concurso recebeu mais de 8 mil desenhos e ultrapassou a marca de 100 mil votos únicos, com participação de torcedores de mais de 120 países.
Entre tantas propostas, uma ideia conquistou a preferência da Nação Rubro-Negra: a Urubu de Lima, criada por Marcelo Gluz, torcedor do Flamengo do Rio de Janeiro.
O resultado mostra que o interesse dos torcedores por uma camisa não depende apenas de sua aparência. A história contada pelo desenho, sua relação com o clube e a possibilidade de participar diretamente da escolha também podem influenciar a maneira como o público se identifica com uma peça.
Nesse sentido, o Manto da Nação mudou a posição tradicional do torcedor. Em vez de apenas receber um produto pronto, ele teve a oportunidade de ajudar a imaginar, escolher e definir o resultado.
2. Quem criou a Urubu de Lima?
O autor da proposta vencedora foi Marcelo Gluz, torcedor rubro-negro que transformou sua relação com o Flamengo em um projeto visual. Sua criação foi escolhida em uma disputa que reuniu milhares de ideias diferentes e contou com uma votação de alcance internacional.
O nome Urubu de Lima já reúne dois elementos centrais do conceito: o urubu, um dos símbolos mais conhecidos do Flamengo, e Lima, capital peruana ligada a momentos históricos recentes da trajetória flamenguista na Copa Libertadores.
A proposta não se limitou a reproduzir as cores tradicionais do clube ou a criar uma variação convencional das listras vermelhas e pretas. Em vez disso, buscou uma referência cultural e geográfica capaz de transformar uma memória esportiva em identidade visual.
A inspiração veio das Linhas de Nazca, um conjunto de geoglifos monumentais encontrados no deserto do Peru. Essas figuras, desenhadas em grande escala sobre o terreno, incluem formas geométricas e representações de animais. A ideia de Gluz aproximou esse universo visual da figura do urubu, conectando o mascote à memória do Flamengo em território peruano.
Essa escolha é interessante porque demonstra uma característica importante do design de camisas de futebol: nem toda referência precisa aparecer por meio de um escudo, de uma faixa tradicional ou de uma inscrição evidente. Uma camisa também pode comunicar sua história por meio de formas, texturas, cores e símbolos que exigem um olhar mais atento.
Para quem coleciona uniformes, esse tipo de proposta oferece uma experiência diferente. A peça deixa de ser apenas uma variação de um modelo esportivo e passa a funcionar como um registro visual de uma história específica.
A força do conceito está justamente nessa combinação entre uma ideia pessoal e uma memória compartilhada por milhões de torcedores. A criação tem um autor, mas a história que ela representa pertence a uma comunidade muito maior.
3. O que as Linhas de Nazca têm a ver com o Flamengo?
À primeira vista, pode parecer incomum relacionar um clube do Rio de Janeiro a desenhos monumentais encontrados no deserto peruano. A conexão, porém, está em duas conquistas que ocupam um lugar especial na memória recente do Flamengo.
O clube venceu a Copa Libertadores em 2019 e em 2025, com as duas finais disputadas em Lima. Esses resultados transformaram a capital peruana em um cenário importante para a história continental do Flamengo.
Para os torcedores, uma cidade associada a uma conquista pode ganhar um significado emocional que vai muito além de sua localização geográfica. Ela passa a lembrar viagens, comemorações, gols decisivos e momentos compartilhados por uma comunidade de pessoas que talvez nunca tenham estado fisicamente no mesmo lugar.
A Urubu de Lima parte dessa relação. As Linhas de Nazca oferecem uma linguagem visual ligada ao território peruano, enquanto o urubu representa o universo simbólico do Flamengo. A união dos dois elementos cria uma narrativa que conecta um lugar, uma memória esportiva e a identidade de um clube.
A referência também permite fugir de uma solução visual previsível. Em vez de depender apenas das tradicionais cores rubro-negras, a proposta original explora tons terrosos associados à paisagem desértica e à aparência das linhas de Nazca.
Essas escolhas ajudam a explicar por que o desenho chamou atenção: ele não tenta simplesmente reproduzir uma camisa convencional do Flamengo. Procura construir uma identidade visual própria a partir de uma história que muitos torcedores reconhecem.
O resultado é uma peça cuja interpretação depende tanto da estética quanto do conhecimento de sua origem. Para quem acompanha o clube há anos, reconhecer a referência a Lima pode tornar a camisa especialmente significativa.
Essa é uma das qualidades mais interessantes das camisas temáticas: elas permitem transformar um acontecimento esportivo em uma representação visual que pode ser guardada, vestida e lembrada mesmo muito tempo depois do apito final.
4. Por que o urubu é um símbolo tão importante para a torcida?
Para compreender o nome Urubu de Lima, também é necessário entender o significado do urubu na cultura rubro-negra.
O animal nem sempre foi um símbolo celebrado pelos torcedores do Flamengo. Durante a década de 1960, torcidas rivais utilizavam o termo “urubu” de maneira pejorativa para provocar os flamenguistas. O contexto também envolvia preconceitos sociais e raciais presentes no futebol brasileiro daquele período.
Em 1969, um episódio no Maracanã ajudou a transformar essa associação. Torcedores levaram um urubu ao estádio antes de uma partida contra o Botafogo, e a reação da arquibancada contribuiu para que o animal fosse ressignificado como um símbolo de orgulho rubro-negro. A história passou a fazer parte do imaginário da torcida.
Essa transformação é um exemplo interessante de como a cultura do futebol constrói seus símbolos. Um elemento inicialmente usado para provocar um grupo pode, com o tempo, ser incorporado à sua identidade e transformado em sinal de pertencimento.
O urubu passou a representar muito mais do que um animal. Para os flamenguistas, tornou-se parte da linguagem visual e emocional do clube, aparecendo em bandeiras, ilustrações, mascotes e manifestações da torcida.
Na Urubu de Lima, esse símbolo ganha uma nova interpretação. Em vez de ficar restrito à imagem tradicional do mascote, ele é associado a uma referência visual de outro país, ampliando sua narrativa sem perder a ligação com a identidade rubro-negra.
É justamente essa combinação que dá força ao conceito: o desenho parte de um elemento reconhecível para os torcedores e o coloca em um contexto inesperado, mas conectado à história recente do clube.
Para os colecionadores, essa trajetória também ajuda a explicar por que os símbolos de um clube merecem tanta atenção. Escudos, mascotes e elementos gráficos não são apenas enfeites aplicados ao tecido. Eles carregam histórias, mudanças culturais e lembranças compartilhadas entre diferentes gerações.
5. A escolha do público: milhares de torcedores participam
O concurso Manto da Nação não terminou com a apresentação de uma proposta vencedora por uma comissão técnica. Depois da seleção das dez finalistas, a decisão foi transferida para os torcedores.
A votação ultrapassou a marca de 100 mil votos únicos e reuniu participantes de mais de 120 países. Em 1º de setembro de 2026, o Flamengo anunciou a Urubu de Lima, de Marcelo Gluz, como a criação vencedora.
O número é relevante não apenas pela quantidade de participantes, mas também pelo que revela sobre a natureza da escolha. A camisa vencedora não precisava agradar a todos os torcedores individualmente. Precisava se destacar entre propostas diferentes e conquistar apoio suficiente para representar uma preferência coletiva.
Esse tipo de disputa ajuda a entender como as pessoas avaliam um uniforme. Para alguns, a prioridade é a combinação de cores. Outros valorizam a originalidade, a relação com uma conquista histórica ou a capacidade de transformar uma memória em um desenho.
Há também torcedores que preferem modelos tradicionais, enquanto outros buscam peças diferentes das camisas utilizadas em campo. Em um concurso como o Manto da Nação, essas preferências se encontram no mesmo espaço.
A vitória da Urubu de Lima demonstra que uma proposta com identidade visual própria e uma narrativa bem definida pode conquistar espaço entre diferentes perfis de torcedores. O resultado não significa que todos passaram a preferir tons terrosos às cores tradicionais do Flamengo. Significa que uma ideia visual pouco convencional conseguiu se destacar em uma votação popular.
E esse é um ponto importante para quem acompanha o mercado de camisas: a relação entre o público e um uniforme não se resume à fidelidade a um padrão de design.
Quando os torcedores participam da escolha, o processo também se transforma em uma experiência coletiva. As pessoas acompanham as propostas, defendem suas favoritas e discutem quais elementos melhor representam o clube. A própria votação se torna parte da história da camisa.
Manto da Nação em números
| Indicador | Resultado divulgado |
|---|---|
| Propostas enviadas | Mais de 8 mil desenhos |
| Participação na votação | Mais de 100 mil votos únicos |
| Alcance internacional | Torcedores de mais de 120 países |
| Proposta vencedora | Urubu de Lima, de Marcelo Gluz |
Dados divulgados pelo Flamengo no anúncio do resultado do concurso.
6. Duas versões: a proposta original e as cores tradicionais
Embora a Urubu de Lima tenha sido escolhida por sua proposta visual original, a participação dos torcedores continuou influenciando o projeto depois do anúncio do resultado.
Parte da torcida pediu que o modelo também fosse produzido nas tradicionais cores vermelha e preta do Flamengo. O clube atendeu ao pedido e anunciou uma segunda versão, preservando a ideia vencedora em uma apresentação cromática mais próxima da identidade visual habitual do time.
Esse detalhe merece atenção porque mostra uma segunda dimensão da participação popular. Os torcedores não apenas ajudaram a escolher o desenho vencedor; suas manifestações também influenciaram a forma como o produto final seria apresentado.
As duas versões representam maneiras diferentes de interpretar a relação entre identidade e experimentação.
Versão original
Destaca o conceito visual inspirado nas Linhas de Nazca e a ligação com Lima. É a interpretação que preserva a proposta cromática apresentada no concurso.
Versão rubro-negra
Leva o conceito para a combinação tradicional de vermelho e preto, aproximando a proposta criativa das cores historicamente associadas ao Flamengo.
Não existe uma resposta universal sobre qual abordagem é melhor. Para alguns colecionadores, a versão original pode ser mais interessante por preservar a identidade visual concebida pelo autor. Para outros, a edição rubro-negra pode parecer mais familiar e mais fácil de combinar com outras peças da coleção.
Essa diferença também mostra que tradição e inovação não precisam ser tratadas como opostos. Um desenho pode explorar referências culturais diferentes sem abandonar o vínculo com o clube. Da mesma forma, a utilização das cores tradicionais pode oferecer uma nova leitura da mesma ideia.
O ponto mais importante é que o projeto permitiu que essas preferências coexistissem, sem abandonar o conceito central escolhido pela torcida.
7. Da ideia ao produto: o sucesso da Urubu de Lima
A repercussão da Urubu de Lima não ficou limitada à votação. A resposta comercial também foi expressiva e ajudou a demonstrar o interesse despertado pelo projeto.
Segundo informações publicadas pelo Flamengo em 2 de setembro de 2026, mais de 20 mil unidades foram vendidas nas primeiras 24 horas de lançamento. Em comunicado de 6 de setembro, o clube informou que as vendas já haviam superado 50 mil unidades.
Na mesma atualização, o Flamengo anunciou que o Manto da Nação havia sido reconhecido pelo Guinness World Records como o concurso de design de camisas esportivas com o maior número de votos do público, após ultrapassar a marca de 100 mil votos.
Esses números ajudam a mostrar o alcance da iniciativa, mas o interesse comercial não é a única medida de sua relevância.
O caso também oferece uma perspectiva interessante sobre como um clube pode desenvolver produtos a partir de uma comunidade já envolvida emocionalmente com sua história. Os participantes acompanharam a seleção, defenderam suas propostas favoritas e participaram da votação. Quando o resultado foi anunciado, muitos já conheciam o contexto e os detalhes do desenho.
Isso cria uma relação diferente daquela existente quando o público recebe simplesmente uma nova camisa apresentada pelo fabricante ou pelo departamento de marketing.
A história da Urubu de Lima foi construída em etapas: primeiro veio a ideia, depois a participação dos torcedores, a escolha coletiva e, finalmente, a transformação do conceito em um produto. A camisa ganhou um significado particular justamente porque seu processo de criação se tornou parte da narrativa.
É um exemplo de como uma peça pode conquistar espaço na cultura de um clube não apenas pelo que apresenta visualmente, mas também pela história que permite contar.
O projeto também evidencia o papel da comunidade na construção de valor simbólico. Para quem acompanhou o concurso desde o início, a camisa pode representar não apenas uma escolha estética, mas também a lembrança de ter participado de uma decisão coletiva.
Fonte: Flamengo — vendas nas primeiras 24 horas e reconhecimento pelo Guinness World Records.
8. O que essa camisa revela sobre o design das camisas de futebol?
A história da Urubu de Lima ajuda a observar algumas tendências importantes no universo dos uniformes esportivos.
Uma camisa pode contar uma história
A primeira lição é a valorização das narrativas. Uma camisa que remete a uma conquista, a uma cidade ou a um símbolo cultural pode despertar um interesse que vai além da aparência. Conhecer sua origem acrescenta uma camada de significado à experiência de vestir ou colecionar a peça.
É por isso que uniformes ligados a temporadas históricas, jogos decisivos e homenagens costumam despertar a curiosidade de torcedores e colecionadores. O desenho se torna uma forma de preservar uma lembrança e de compartilhar essa memória com outras pessoas.
Experimentar sem apagar a identidade do clube
A segunda lição é que a criatividade pode explorar novos caminhos sem eliminar os elementos que tornam um time reconhecível. No caso da Urubu de Lima, o urubu continuou sendo um elo com o Flamengo, mesmo quando a proposta se afastou da combinação visual mais tradicional do clube.
Isso não significa que toda camisa precise abandonar as cores habituais ou apresentar um desenho ousado. Modelos clássicos também têm seu valor. A questão é entender que diferentes abordagens podem atender a diferentes preferências e ocasiões.
A participação dos torcedores tem valor criativo
A terceira lição é a possibilidade de envolver os torcedores no desenvolvimento de um produto. O público pode contribuir com ideias, demonstrar suas preferências e ajudar a revelar quais histórias despertam mais interesse.
Isso não significa que toda camisa deva ser desenhada por votação popular, mas mostra que a criatividade dos torcedores pode gerar resultados relevantes e aproximar o processo de criação da comunidade que dará significado à peça.
O valor de uma peça também está em sua memória
Por fim, o projeto lembra que uma camisa de futebol pode funcionar como objeto de memória. Algumas peças ficam associadas a um título; outras representam uma época, um jogador ou uma decisão estética marcante. A Urubu de Lima acrescenta a essa lista a memória de uma criação coletiva.
Para quem gosta de camisas de futebol, vale observar não apenas o escudo e as cores, mas também as referências presentes na estampa, a relação com a história do clube e as escolhas feitas durante o desenvolvimento do uniforme.
Muitas vezes, os detalhes mais interessantes de uma camisa não são os primeiros que aparecem à vista. São aqueles que se tornam mais claros quando conhecemos a história por trás do desenho.
Conclusão: quando a torcida também faz parte da história
A Urubu de Lima começou como uma proposta de Marcelo Gluz e terminou escolhida por uma comunidade de torcedores espalhada por diferentes países. No caminho, conectou a figura do urubu, a paisagem cultural das Linhas de Nazca e a memória de duas conquistas importantes do Flamengo em Lima.
O Manto da Nação mostrou que a participação dos torcedores pode ultrapassar as arquibancadas e as redes sociais. Eles podem contribuir com ideias, influenciar decisões de design e participar de uma história que, depois, será compartilhada por milhares de pessoas.
Isso não torna a Urubu de Lima uma camisa tradicional do Flamengo no sentido visual. Sua força está justamente em oferecer uma interpretação diferente da identidade rubro-negra, sem perder o vínculo com o clube e sua torcida.
Para os amantes de camisas de futebol, fica uma lição interessante: um uniforme pode ser marcante não apenas pelo desenho que apresenta, mas também pelas pessoas, pelos lugares e pelas memórias que representa.
E, no caso da Urubu de Lima, a própria torcida ajudou a transformar essa ideia em parte da história do Flamengo.